Marcelo Nova fala sobre sua parceria com Raul. Leia entrevista!
O último disco que Raul Seixas lançou foi "Panela do Diabo", logo após uma turnê de 50 shows. Mas, o cantor não chegou a ver o trabalho nas lojas, pois morreu antes. De qualquer forma, se você já ouviu 'Carpinteiro do Universo' e companhia, sabe que não há como falar de Raul sem citar o amigo e parceiro musical em diversas músicas, em sua última turnê e trabalho: Marcelo Nova. Por isso, conversamos com o músico, que falou um pouco mais de Raulzito. Confira!
Logo depois dos shows que fizeram, Raul morreu. Como foi isso para você?
É como perder um amigo, qualquer pessoa sabe a dor de você perder um amigo, né. As pessoas perderam um ídolo, eu perdi um amigo, um parceiro, um cara que estava comigo na estrada... E qualquer um que tenha perdido alguém de quem você se sente muito próximo e de quem você gosta verdadeiramente sabe como é esta dor, né...
E como era essa parceria com ele?
Na verdade, era tudo muito caótico, porque havia shows em que as coisas transcorriam tranquilamente, que ele estava fisicamente bem e se divertindo. Em outros shows, ele estava mal, ele subia ao palco daquele jeito que Raulzito gostava de ficar e as coisas aconteciam de uma outra maneira. Mas era sempre de verdade, independente do estado etílico, era sempre de verdade.
Você destacaria alguma música em especial que fizeram juntos?
Não sei se tem uma faixa. Na verdade, é mais o disco como um todo, o "Panela do Diabo", ele é um disco que contém 50% de Raul Seixas e 50% de Marcelo Nova, então, é quase que uma anarquia existencial, você deixar sair o que tinha. Nós não íamos fazer canções sobre o Morumbi Fashion ou sobre o último lançamento seja lá o que for da indústria. Então, são canções com temas atemporais: ódio, amor, intriga, paixão, desejo, arrependimentos... Basicamente isso.
Muita gente diz que Marcelo Nova é herdeiro de Raul, mas você não concorda muito com isso...
(risos) Não, isso é uma tolice, né. Na verdade, as herdeiras de Raul são as três filhas que ele deixou. Essas sim são herdeiras. O que havia entre nós era uma espécie de afinidade, principalmente musical, porque se você for observar a carreira artística de Raul e a minha, você vai ver que nós temos maneiras muito diferentes de abordar a canção, mas nós tínhamos uma identificação muito grande na forma de pensar e dizer as coisas. Então, acho que talvez isso tenha sido, mais do que o estilo musical, tenha sido essa identificação de texto mesmo.
Como foi tocar, este ano, na Virada Cultural, com Os Panteras?
Olha, os Panteras são os meus Beatles. Você está entendendo? Então, eu posso dizer que toquei com os meus Beatles. A primeira banda que eu vi, ao vivo, na minha frente, numa época onde não havia clipe, não havia MTV nem internet, TV a cores... A primeira vez que eu vi uma banda, tocando a 2 metros de distância de mim, foi Os Panteras. Até então, a referência que eu tinha de rock eram as capas dos discos. Então, Raulzito e os Panteras, a primeira vez que os vi, em 1964 ou 65, eu era um garotinho, eles já pegavam as menininhas e eu dizia 'Ah! É isso! Eu tenho que ter uma banda'. Então, tocar com eles depois de tantos e tantos anos foi um prazer inenarrável.
Fora o Panela do Diabo, tem algum disco do Raul que você destacaria?
Vários, mas Novo Aeon talvez seja o meu favorito.
Em relação ao seu trabalho solo, você já tem novidades em mente?
Acho que no próximo ano vou lançar algo novo, é uma boa época para fazer isso, no início do ano. Fim de ano não é uma boa ideia. Eu sempre tenho coisas inéditas. Sou compulsivo, obsessivo, então eu sempre tenho, nunca fico sem.
As imagens que você gravou com o Camisa de Vênus vão chegar a ser lançadas?
Nós fizemos algumas gravações mas não chegamos a nenhuma conclusão a respeito de lançá-las comercialmente.
E os próximos shows?
Aí eu não tenho a menor ideia (risos). A pessoa que quiser ver tem que entrar no site... Marcelonova.com.br. É melhor do que eu dizer qualquer coisa, porque sabe como é né... (risos). Sorry, boys!