Marcelo Nova


FOTOS DE MARCELO NOVA E BANDA NO BOLSHOI PUB

Mais fotos no www.myspace.com/marcelonovazipnet.

Fonte www.bolshoipub.com.br.



Escrito por Xande Campos Capitão às 21h32
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




JARDS MACALÉ - UM MORCEGO NA PORTA PRINCIPAL II

 

Jards Macalé é um Marcelista de mão cheia. Ou será que Marcelo Nova é que é um Macalista?

Não importa. A regravação de Gotham City e a admiração mútua unem esses dois músicos fantásticos.

Macalé, que fez frutífera parceria com Capinam, sempre foi classificado como maldito. E respondia "maldito é a puta que o pariu". Mais marcelista impossível.

Nos shows de Marceleza é comum ouvir a história de Marcelo, que foi a um festival, onde Macalé cantava Gotham City e era vaiado de maneira desconfortável. O gênio foi cutucado com vara curta, e ele reverteu a vaia em performance, alguma coisa assim: "Cuidado"   UUUUUUUUUUU   "tem um morcego na porta principal". Marcelo jamais esqueceu o que viu.

Abaixo, matéria de um documentário sobre Macalé.

>A arte inquietante de Macalé em sua real grandeza

Filme de Marco Abujamra tem exibições no festival In-Edit Brasil a partir de hoje, com show do compositor amanhã

Lauro Lisboa Garcia

Tamanho do texto? A A A A

>Na primeira cena do documentário Jards Macalé - Um Morcego na Porta Principal, de Marco Abujamra, o personagem em questão aparece ameaçando processar os realizadores do filme caso não goste do resultado. "Pode ser uma catástrofe", diz Macalé, com o semblante sério. Medo de quê? "Que destruam tudo o que construí. A minha vida pessoal." Como tudo o que o compositor, cantor, violonista e ator engenhosamente construiu na carreira, a abertura é provocativa. Mas o espectador não precisa se sentir incomodado nem temer o que vem pela frente. "Aquilo é um número", diz Macalé em entrevista por telefone. "Foi uma brincadeira." Ele é amigo de Abujamra e do jornalista João Pimentel, que codirigiram o filme e realizaram as entrevistas.

Veja trecho do filme


O resultado, afinal, é fiel ao que Macalé significa. "Eu, como não tenho papas na língua nem nada a esconder, acho que os tópicos que eles pegaram estão ali respondidos. Tanto por mim, quanto pelas pessoas que foram entrevistadas." O documentário terá a primeira sessão hoje no festival In-Edit Brasil. Amanhã, na Galeria Olido, a exibição será seguida de um show de Macalé, interpretando ao violão clássicos que aparecem no filme, como Vapor Barato, Movimento dos Barcos e Farinha do Desprezo, além de canções de seu álbum mais recente, Macao, de 2008.

Um dos episódios mais relevantes da carreira de Macalé é o show Banquete dos Mendigos, que reuniu, além dele, Raul Seixas, Chico Buarque, Gal Costa, Luiz Melodia, MPB-4, Edu Lobo, Milton Nascimento, Jorge Mautner, Paulinho da Viola e outros, no MAM carioca. Era para ser um show em benefício próprio, já que Macalé se achava falido, mas acabou adquirindo proporções imprevistas.

Associado à comemoração dos 25 anos da Declaração dos Direitos Humanos, tornou-se alvo da repressão pelo conteúdo "subversivo". "Não aconteceu nada no autobenefício, mas como ato político foi fundamental", conclui Macalé no filme. Realizado em 1973, o show histórico foi gravado, mas o disco duplo ao vivo só saiu em 1979, depois de liberado pela censura. Até hoje permanece inédito em CD, apesar de suas insistentes tentativas para relançá-lo.

Gal Costa, uma de suas intérpretes mais marcantes, não aparece na tela, mas em compensação tem sua voz em off cantando lindamente Vapor Barato - em fusão com a leitura do Poema Jet Lagged, de e por Waly Salomão (1943-2003), parceiro de Macalé na canção. Mais emocionante é quando Abel Silva conta a história de quando Macalé também cismou que ia morrer, por volta dos dez anos da morte do poeta tropicalista Torquato Neto (1944-1972). Um telefonema de João Gilberto cantando longamente No Rancho Fundo (Ary Barroso/Lamartine Babo) ao violão para ele foi crucial naquele momento. "De certa forma ele me acalentou, me ninou. Eu fui viajando nessa história e voltando a mim mesmo", lembra agora Macalé, que mora "simbolicamente" num fim de mundo em Penedo.

Nem tudo é tão dramático no filme nem na vida de Macalé. Autor de frases cortantes, ele também protagoniza cenas engraçadas, como a de uma ordem de prisão em Vitória depois de um show de Moreira da Silva (1902-2000), que ele conta em bate-papo com Jaguar.

Diversos amigos e parceiros artísticos - como Nelson Pereira dos Santos (para quem fez "a melhor trilha sonora" que já teve, e também atuou em Amuleto de Ogum), Zé Celso Martinez Corrêa, Capinam, Abel Silva, Dori Caymmi, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Cafi, Chacal, Nelson Motta - avalizam a importância do criador inquieto, que agregou o cinema, o teatro e as artes plásticas a sua música.

Além de depoimentos inéditos, Bethânia (outra intérprete fundamental do compositor, com quem dividiu o palco no show Opinião) aparece em imagens de arquivo ao lado de Caetano Veloso, no tempo em que ela morou na casa de Dona Lygia, mãe de Macalé. Com eles, Torquato, Norma Bengell, Rogério Duarte e outros, "a casa ficava em ebulição". "Acho que parte da Tropicália foi discutida ali", diz o músico.

É claro que a pecha de "maldito", com que foi identificado na época, é assunto que ainda rende. "Maldito é a mãe", diz ele no filme. Além de "dialogar com a vanguarda" ele era um pessoa "tendo um comportamento possivelmente livre dentro daquela coisa horrorosa", que era a ditadura militar. A referência ao morcego do título do documentário vem da canção Gotham City, vaiadíssima num festival em 1969, uma metáfora do negror daqueles tempos.

Dono de uma "habilidade musical rara" (para Luiz Melodia), com "desejo experimental" (Jorge Mautner), que "reúne com facilidade o popular e o contemporâneo" (Xico Chaves), é considerado por Zé Celso como "um semideus", um artista da magnitude "de uma Maria Callas, de um Oscar Niemeyer". Não é à toa que esses "marginais" se identificam com ele, na visão da arte como agente transformador. De real grandeza.

fonte www.estadao.com.br



Escrito por Xande Campos Capitão às 11h52
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




JARDS MACALÉ - UM MORCEGO NA PORTA PRINCIPAL I

O animal que escuta a si mesmo

 

JARDS MACALÉ – UM MORCEGO NA PORTA PRINCIPAL – Première Brasil

Felipe Messina

Antes que acenda a luz do dia, o morcego corta o ar e desfere seus berros contra os obstáculos. A cada batida de asas, calcula as distâncias entre ele e o que o cerca. Seu próprio som o faz navegar em territórios nos quais nem os “Olhos de Lince” conseguem enxergar. Seja pedra, seja planta, seja bicho, seja humano.

O primeiro berro lança contra o diretor do filme. “Para que todas essas entrevistas? Sinceramente não estou entendendo! Eu não confio nisso! Tô falando sério!” A câmera?, deixa-a de lado e encara os argüidores em tom ameaçador. Óculos escuros, camisa de super-homem e zelo pela própria história. Mesmo para quem Vive do presente, diz em alto e bom som que teme por “uma catástrofe”, pela “desconstrução de sua vida”. O mito da infalibilidade e transcendência do cinema persiste. Mas o filme segue. Segue incompleto, como todos. Lacunas planejadas pelo personagem; lacunas geradas pelos criadores.

Corte. Fumaça, cabeça, nuca, fonogramas... “Vou ficar aqui exposto à audição pública”, escuta-se mais uma vez enquanto o cenário prepara a entrada das imagens de super 8 impressas também por ele. Cores silvantes e versos antigos se unem às imagens do passado que se misturam aos dias recentes como se certos momentos vivessem para sempre. Se a pele muda, a cor da carne se mantém. Se os pêlos agrisalham, a língua permanece a mesma. Dela sai a voz que canta o filme inteiro. Ouvi-lo em suas mais variadas fases é quase uma obsessão. Canta letras de sua autoria e interpreta a lírica de outros poetas. Se os versos não são seus, os sentimentos parecem vir de dentro. Assim um perfil é construído também através da música. Solidão, fervor, eletricidade, enfrentamento. Sobretudo solidão e enfrentamento.

De repente, um pretexto é mote rápido para vê-lo no palco onde hoje é entrevistado por Jaguar. Não se acostume, os lances são velozes e o texto redigido é linha mestra na costura entre as canções, perguntas e anedotas. Os risos nunca cessam e o humor lhe transborda. Ri de si mesmo, ri do camburão, ri do saudoso companheiro e mestre Kid Morengueira (a amizade entre os dois está no curta Tira os Óculos e Recolhe o Homem, de André Sampaio, hors concours na Première Brasil). Nesta seqüência extensa de entrevistas, as horas e horas de conversas ficam sugeridas. Vê-se o cantor, o compositor, o ator. O destino do poeta é coisa dele e talvez por isso os amigos, colegas e admiradores lhe façam deferência. Capinam, Cafi, Chico Chaves, Zé Celso, Nelson Pereira...

Soberba, a mãe lhe sustenta o passo e, sentados num balanço de Penedo, relembram a "peleja” entre ele e Dori Caymmi. Afeito aos acordes dissonantes, com o violão na perna mostra à Dona Lygia a diminuta “inoportuna” que o amigo lhe impusera. Sente-se mais uma vez o cheiro da casa da mãe onde os amigos enfurnados tramavam o Tropicalismo. Saudades de Torquato. Rio e também posso chorar.

Wally não pede licença e, tão rápido como um raio, cruza o cenário com sua voz e sua poesia. Dele apenas as palavras e a imagem enquanto declama. Ah vale a pena ser poeta.

Pouco a pouco, define-se o rumo entre o palco constante, a repetição das imagens antigas e o rememorar dos tantos golpes, de sorte ou de azar. Caçavam bruxas nos telhados de Gotham City e ele próprio acabou marcado pelos inimigos com os quais se debateu. Ao ponto de ser rotulado como “maldito” juntamente com outras figuras como Luiz Melodia e Jorge Mautner. Foi o preço que pagou por dizer o que pensava, por atacar a indústria fonográfica e alçar outros tantos vôos no escuro. Ah como é forte o gosto da farinha do desprezo. Quando a comeu, ao menos foi em boa companhia.

A vida sempre por um triz. No passo errante do risco, o morcego também pousa solitário. É certo que de ponta-cabeça. Apesar de tudo, escuta sempre a si mesmo. “Os próprios barulhinhos internos”. E aí nunca fica só.


Felipe Messina
fonte oglobo.globo.com/.../post.asp?cod_post=129667



Escrito por Xande Campos Capitão às 11h39
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
Outros sites
  Site oficial Marcelo Nova
  Site Oficial Lu Stopa
  Miguel Cordeiro
Votação
  Dê uma nota para meu blog