HÁ 50 ANOS, O SIMCA CHAMBORD
Imagine um Simca Chambord em alta velocidade, muita fumaça ino interior, ao volante Marcelo Nova, Miguel Cordeiro no banco da frente, e o restante do Camisa no banco de trás. Entre os garotos viasse uma siluete de mulher fumando. Juntos eles tranformaram uma lenda automobilística em clássico do rock´n roll. O Simca Chambord completa 50 anos, saiba mais abaixo. Fonte: www.jornalveiculos.com.br - texto de Roberto Nasser 
Em sete de março de 1959, a Simca do Brasil faturou pouco mais de centena de Chambord à nascente rede de concessionários. Fazem 50 anos, e a Simca assinalou sua presença como a produtora do primeiro carro de luxo em nosso país, criou versões, fez evoluções, e teve vida curta, absorvida pela Chrysler em 1967.A unidade número 1 começou a ser produzida no dia 8 de janeiro. 
História curta, porém rica em novidades. Foi a montadora com maiores intervenções realizadas no produto, desenvolvendo soluções inexistentes na matriz, como o motor mais forte – dos 84 hp originais franceses, foi a 115 hp conseguidos para as versões Rallye e Présidence – ou a caixa de transmissão sincronizada. 
Além de melhor rolagem, fruto de constante desenvolvimento, em especial por envolvimento em corridas, criando versões, melhorias, como a série Tufão, a ignição eletrônica, as cores em amplo leque e nomes curiosos – que tal Sombra Queimada ? -, o refazimento do motor, deslocando as válvulas do bloco do motor, para o cabeçote. 
Terá sido, com certeza, a melhor imagem da coragem romântica em se mudar para um país tropical interessado em produzir automóveis, embora sem a menor estrutura, gente treinada, auto peças confiáveis. Havia apenas espectativa de vendas num mercado desconhecido, inquantificado. Deixou muitas marcas em nossa história, e um recorde: entre decidir vir para o Brasil, reunir o maquinário, transportá-lo, arranjar onde instalá-lo, preparar a operação, contratar pessoal, treiná-lo, e tirar a primeira unidade da linha de produção, levou apenas 3 meses. Um recorde até hoje imbatido. 
Epopéia - Não era apenas correr, mas enfrentar situações novas, como, por exemplo, o fato de não haver na fábrica matriz quem entendesse português para preencher as guias de exportação. Contrataram desempregados: uma ex-bailarina; um ex-garçon e uma ex-profissões diversas, descompromissados com a terminologia específica e datilografia ! 
Os feriados de final de ano atrapalharam remessa e recebimento. Compatilizou-se o maquinário de uso mais urgente com o cronograma dos navios. Buscava-se no Brasil prédio capaz de receber o maquinário e se transformar em fábrica. Era questao básica. Se não, ... nada. 
Fiat Brasileira S/A, razão social de então, ajudou. Seu representante, Elio Peccei, era articulado, tinha no bolso do terno claro a indicação do espaço desejado: o prédio da Varam Motores, em São Bernardo do Campo, SP. Fora instalada em 1948, na Via Anchieta, em frente ao terreno que depois recebeu a Volkswagen. A fábrica foi destruída pela VW e hoje o terreno abriga monumental depósito das Casas Bahia. Muito apropriado, fora construído por planos da norte-americana Nash, por seu representante, a Varam Motores. 
Instalações vazias e, com pequeno trabalho, aptas a nova operação. Marcus Keutenedjian, 85, herdeiro do pioneiro Varam, ágil e de fantástica memória, lembra-se da articulação promovida por Peccei: “ – Um homem culto, fino em procedimento. Tinha crédito para a indicação, e facilitou negócios para ambas as partes. “ 
Mas, apesar da falta de estrutura, de direcionamento, sem treinar todo o pessoal, ao completar três meses da decisão de vir ao Brasil, corporificou sua decisão aos 8 de janeiro, 90 dias após, com o primeiro carro deixando a linha de montagem. História marcante, motivou música própria com o grupo Camisa de Venus. Lá uma frase – “E eles fizeram pior, acabaram com o Simca Chambord... “ sintetizou um libelo contra os atos de violência do governo militar. 
Escrito por Xande Campos Capitão às 19h29
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