O áudio da entrevista de Marceleza para a rádio CBN Campinas, exibido no quadro Música é Cultura na última sexta-feira, está disponível no site da rádio.
No final de 2011, Marceleza gravou uma entrevista para a rádio CBN, filial Campinas, que será exibida amanhã à partir das 14h, no quadro Música é Cultura, dentro do programa CBN Total.
A entrevista é conduzida pelo radialista, rocker e baterista Robson Santos.
Marcelo Nova concedeu entrevista para a revista Comando Rock, publicada na edição de dezembro de 2011.
Falando sobre o lançamento Hoje no Bolshoi, sua banda, o prazer de tocar com seu filho Drake, Marceleza mais uma vez nos brinda com uma ótima entrevista.
Caso tenha dificuldades em encontrar a revista em sua cidade, adquira através dos links abaixo:
DEZ ITENS PARA COMPLEMENTAR A COLEÇÃO DOS FÃS DE MARCELO NOVA
Aqui você vai encontrar uma lista com 10 opções para você utilizar o dinheiro do seu décimo terceiro, e que vão contribuir para você entender um pouco mais sobre a vida e obra de Marcelo Nova, além de enriquecer sua paleta cultural.
Hoje no Bolshoi – registro ao vivo que resume bem a fase atual do grande rocker brasileiro, assim como traz uma síntese dos seus 30 anos de carreira.
2. Bring All Back Hoje (Bob Dylan) – album que traz Mr. Tambourine Man, composta por um jovem Dylan, mas que demonstrava a maturidade de um veterano em seu conteúdo, fato sempre lembrado por Marceleza.
3. Here´s Little Richard (Little Richard) – esse pode ser considerado uma espécie de segundo parto em sua vida, a partir da audição deste petardo, o mundo não seria visto da mesma maneira.
4. Loaded (Velvet Underground) – com um título que parece extraído de algum disco recém lançado, contém a faixa Sweet Jane, citada em vários shows por Marcelo, além de ter Lou Reed em suas fileiras, umas das grandes influências de Mr. Nova.
5. O Fantasma da Liberdade (Luis Buñuel) – um fã do cinema, Marcelo Nova tem em Buñuel uma fonte imensa de inspiração e neste filme, um dos seus preferidos. É citado na canção O Fantasma de Luis Buñuel do cult O Galope do Tempo. Você encontra o dvd à venda em qualquer site de e-commerce.
6. London Calling (The Clash) - discografia basiquérrima para um fã de Marceleza.
7. Hamlet (William Shakespeare) – assim como o anterior, também muito citado pelo rei do rock.
8. Mott (Mott The Hoople) – uma influência musical e visual, inspirando o uso constante dos óculos escuros, como fazia o líder desse banda inglesa, Ian Hunter, citado na canção Lena.
9. The Warm Moods (Bem Webster) – o excepcional saxofonista tem sido presença constante no pick up de Marcelo Nova. Ilustra um pouco do que anda povoando seus ouvidos nesse momento.
10. The Legend (Johnny Cash) – “The Man in Black” é outra grande referência, e que fecha essa lista diretamente de Folsom Prison.
Ao final dessas sugestões você pode me perguntar “se eu comprar todos esses e me aprofundar nessas obras, então finalmente vou entender quem é Marcelo Nova?”.
Claro que não. O gênio é bem mais complexo do uma lista com 10 itens. Mas isso seria um belo começo.
Marcelo Nova é um coiote solitário. Um sujeito que não segue bandos. Tem sido assim desde o começo, nos anos 80, quando o jovem baiano, roupas pretas e rosto cheio de espinhas, encarou com sua banda Camisa de Vênus um mercado dominado pelos nomes de São Paulo, Rio e Brasília. Mas o grupo tinha um grito de guerra, “bota pra f…”, e ele parecia se divertir em não fazer concessões para ser aceito naquele rol.
“Só respondo por mim”, costuma dizer ainda hoje, reforçando a condição de um profissional sem rabo preso com ninguém. Aliás, há 14 anos Marcelo não tem empresário nem assessor. “Sou meu próprio Roberto Marinho e meu próprio motoboy”, diz. Uma liberdade que, se tem o preço de distanciá-lo do mainstream, o deixa livre para fazer um trabalho como o CD e DVD ‘Hoje no Bolshoi’, gravado num pub de Goiânia no ano passado, com um repertório que não se pauta pela obviedade de seus inúmeros hits. Verdade que tem ‘Hoje’, ‘Simca Chambord’ e ‘Eu Não Matei Joana D’Arc’. Mas tem também duas inéditas, canções da fase solo, com Raul Seixas e outras menos conhecidas. Com este trabalho, o músico celebra 30 anos de carreira – agora, são 31.
Mas esse jeito independente e solitário não fez de Marcelo um tipo ranzinza. Aos 60 anos, casado pela segunda vez, o pai de Drake (19 anos, guitarrista de sua banda), Felícia (dançarina) e Penélope (ex-VJ da MTV) e avô de uma menina de 3 anos é sarcástico, afável e divertido. E não poupa palavras.
Antes de formar o Camisa de Vênus, você se inspirava na banda Os Panteras, de Raul Seixas. Queria fazer rock e pegar as menininhas, como eles. Depois, foi do jeito que imaginava?
Foi, claro que foi. Mas devo acrescentar que não era só para pegar menininhas. Eu amava profundamente a música. Aos 9 anos, ouvi Little Richard na rua. Pedi para o meu pai comprar o disco e eu não sabia o que era rock ‘n’ roll, não sabia falar inglês e me apaixonei por aquilo.
Seus pais faziam o quê?
Meu pai era médico e minha mãe era terapeuta ocupacional. Eles trabalhavam juntos. E tenho uma irmã 12 anos mais velha, que naquela época gostava de me massacrar com João Gilberto.
Para seguir a vida de roqueiro, teve aquela coisa de sair de casa?
Não, não. É uma cultura nordestina. Você cresce com seus pais, casa e continua morando com eles. Aí você tem filhos e seus pais cuidam de seus filhos como se fossem deles. Casei aos 19 anos, minha mulher tinha 15 e continuei morando com os meus pais. Com duas filhas.
E você tinha de se manter, financeiramente?
Sim, fui radialista, vendi seguros. Fui um péssimo vendedor, tinha um cabelo enorme, abaixo do ombro, numa época em que isso era muito incomum. As pessoas ficavam chocadas, gritavam na rua: ‘mulherzinhaaa!’ (risos).
Em 1972, você compôs ‘Quando Eu Morri’, em que narra sua experiência com o LSD. Em 1973, nasceu a Penélope. Como foi a chegada do bebê em meio a tanta loucura?
Ela foi a principal responsável por eu ter parado o meu envolvimento com drogas. Muito jovem que era, quando eu ouvia Lucy in The Sky With Diamonds, eu pensava, ‘pô, será que se eu tomar LSD eu vou ver uma vaca voando?’ E eu era um jovem muito curioso.
Que tipo de droga experimentou?
De tudo. Só não me injetei nada. Só fui tomar morfina pouco tempo atrás porque tenho cálculos renais e a anestesia é através de morfina, que é uma delícia. É uma droga que tira todo e qualquer desejo. Você não precisa de dinheiro, de sexo, de poder, de nada. E é completamente diferente do LSD, que lhe joga num outro universo durante 16, 17 horas. Quando eu Morri tem um verso que diz “eu sentia tanto medo, eu só queria dormir cedo pra noite passar depressa e não poder me agarrar”. Eu tinha a sensação de que a noite queria me sugar para dentro dela e que eu jamais ia conseguir sair. Era uma sensação pavorosa. Dito assim, é engraçado. Vivenciado, é terrível.
Você teve sua segunda filha em 1979. Elas te acompanhavam na vida do Camisa?
Não, elas ficavam com a minha mãe, que era uma avó muito extremada. Em 1984 meu casamento acabou e eu mudei para São Paulo. Menos de dois anos depois, meu pai faleceu, então eu trouxe minha mãe para morar comigo. Falei, ‘ agora é a vez de eu cuidar de você’. E ela tá ali, ó, naquela caixa vermelha (aponta para o alto da estante cheia de discos). Os restos dela estão ali. Ela faleceu há três anos. É tão bacana, taí, é uma lembrança. Como não tenho nenhum vínculo religioso, é apenas uma referência. Eu a deixei ali, junto de Alice Cooper. Porque ela ia ao show do Camisa toda maquiada nos olhos, botava coleira, umas correntes no pescoço, ia para a linha de frente e gritava ‘bota pra f…’. E a molecadinha adorava.
O disco ‘Viva’, do Camisa, foi censurado no finzinho já da ditadura. Por que motivo?
Porque não submeti o disco a nenhuma apreciação da censura federal. Vi meu disco sendo preso na loja Hi-Fi do shopping Iguatemi. Os caras pegaram duas caixas com 50 discos. Eu só fiquei rindo. Perguntei: ‘vem cá, não seria mais sensato me prender?’ Ele me olhou de cima a baixo, e falou: ‘quem é o senhor? Eu disse, ‘a pessoa que gravou esse disco’. ‘Isso aí não é função nossa. Nossa função é recolher o álbum que está proibido’. ‘Então tá’ (risos). Que coisa ridícula! Isso tudo em nome da moral, dos bons costumes, e de seja lá o que for.
Hoje a gente não tem essa censura formal, mas há uma onda do politicamente correto cada vez mais forte. Acha que uma música como ‘Bete Morreu’ passaria por esse crivo?
O que tem Bete Morreu para ser censurada? ‘Amordaçaram Bete, espancaram Bete, violentaram Bete, ela nem se mexeu, Bete morreu!’ Liga no Datena, que é dez vezes pior! (risos). Bete Morreu na verdade é uma canção que escrevi no meio de uma dor de barriga. Fui para o banheiro, catei o jornal, e lá estava falando do assassinato de uma garota cujo corpo tinha sido encontrado por um chofer de caminhão. Saí de lá e meio que transcrevi aquilo. Então Bete Morreu é apenas e tão somente uma canção de um cara muito jovem, que estava começando a escrever.
Você gravou com Raul Seixas o disco ‘Panela do Diabo’ e juntos fizeram uma turnê numa época em que ele estava na pior. Como foi essa fase?
Ele estava muito mal fisicamente, economicamente e eu ficava fazendo feira para ele comer. Ele ficou internado uma semana no Sírio-Libanês, atendido e sendo examinado e o médico lhe indicou atividade moderada. Porque ele estava em casa, enlouquecendo diuturnamente, não só bebendo. Fizemos 50 shows. E ele não faltou em nenhum.
Com tantos anos de estrada e sucesso, você deve ter conquistado uma certa estabilidade financeira. Pra que serve o dinheiro para você?
Eu sou um cara absolutamente insano em relação a dinheiro. Quando tenho, gasto tudo. Gasto com viagem CDs, vinis, Blu-Rays, DVDs, filmes. São meus deleites. Sou um hedonista completo. E quando estou sem dinheiro, corro atrás. Porque todo mundo acha que o Marcelo Nova é doido, mas ninguém sabe o sangue que custa ser louco (bate no braço). Ser louco e manter uma família, assumir responsabilidades. Mas eu nunca consegui pensar no dinheiro como uma coisa que tenho de fazer, fazer e guardar. Meu pai, quando morreu, me deixou US$ 2 mil. Eu nunca o censurei por isso, pelo contrário. Ele me ajudou em vários momentos da vida quando eu não tinha dinheiro.
Você tem 60 anos, mas parece que pouco mudou na fisionomia. É o rock que não deixa envelhecer ou um roqueiro não pode envelhecer?
Não, isso é lenda. Eu envelheci sim. Tenho cabelos brancos que cobrem as minhas têmporas, a carne flácida das papadas que estão começando a se pronunciar pela força da gravidade. Envelheci como todo mundo. Essa mítica de que o rock é jovem, acho uma bobagem total. Detesto. Eu vejo por exemplo o Mick Jagger, que é de uma banda que eu gosto muitíssimo. Vejo um senhor de quase 70 anos, mexendo aquele c… magro, prum lado e pro outro naquele frenesi, de mãozinha na cadeira, eu fico com vergonha, a tal vergonha alheia.
Mas você tem vaidade?
Tenho. Gosto de andar bem vestido, até porque não gosto mais de andar de camiseta e jeans. Sim, cultivo o meu topete, então, como vou dizer para você que não sou vaidoso?, Mas evidentemente, tudo na vida tem limites e parâmetros. Não seria nem sensato eu, aos 60, querendo parecer um menino de 20 anos. Eu tenho 60. Se quiser entro no ônibus sem pagar, tem uma vaga de idoso no shopping center me esperando agora. Não posso aceitar essa ideia de que o rock vai me mumificar, não. Não acredito nisso.
Marcelo Nova retorna ao Estúdio Showlivre para uma apresentação que pode ser conferida pela internet.
O Estúdio Showlivre é apresentado por Clemente Nascimento, o líder dos Inocentes, que detém todo o respeito de Marceleza, tendo subido ao palco juntos inúmeras vezes, sempre com um clima "brodagem", que certamente estará presente nesse novo encontro, e que contribuirá para engrandecer ainda mais o clima dessa apresentação.
A turnê de lançamento de Hoje no Bolshoi, que vai passar pelo festival Lollapalooza em 2012, ganha o seu capítulo on line.
www.showlivre.com - quinta-feira, 15 de dezembro de 2011, às 16 horas. Acesse, clique e assita.
Marcelo Nova é acompanhado por Drake Nova (guitarra), Leandro Dalle (baixo), Celio Glouster (bateria).
É chegada a hora do "Bota Pra Fudê" dominar o Lollapalooza 2012. Com a confirmação da presença de Marceleza, é esse o grito que vai ecoar durante o festival. Alguém dúvida?
Mas nós podemos fazer essa presença se tornar marcante desde já. E para isso é importante a colaboração de todos. Todos aqueles que vibraram com a presença de Marcelo Nova num dos maiores festivais de música do mundo. Todos aqueles que há 30 anos gritam sem se cansar, e lá no Lollapalooza vão gritar "Bota Pra Fudê", podem contribuir.
Vamos mostrar o peso do grande nome do rock brasileiro. Basta que você customize um line up, incluindo Marcelo Nova, através do site do festival.
VAMOS FAZER O "BOTA PRA FUDÊ" DOMINAR O LOLLAPALOOZA 2012
É chegada a hora do "Bota Pra Fudê" dominar o Lollapalooza 2012. Com a confirmação da presença de Marceleza, é esse o grito que vai ecoar durante o festival. Alguém dúvida?
Mas nós podemos fazer essa presença se tornar marcante desde já. E para isso é importante a colaboração de todos. Todos aqueles que vibraram com a presença de Marcelo Nova num dos maiores festivais de música do mundo. Todos aqueles que há 30 anos gritam sem se cansar, e lá no Lollapalooza vão gritar "Bota Pra Fudê", podem contribuir.
Vamos mostrar o peso do grande nome do rock brasileiro. Basta que você customize um line up, incluindo Marcelo Nova, através do site do festival.
De maneira geral encontramos reclamações sobre o tratamento dispensado aos artistas nacionais nesses festivais de grande porte. Como a escalação para se apresentar em palcos secundários, a qualidade do som, a falta de tempo para a passagem do som, entre outras. Não há dúvida que Marceleza usará de sua experiência para se esquivar dessas armadilhas.
Independente disso, é muito bom ver o grande nome do rock brasileiro ser escalado para um evento desse porte.
MARCELO NOVA E BANDA NO ROCK CLUB DE SÃO BERNARDO DO CAMPO
A turnê de Hoje no Bolshoi chega ao ABC paulista, tradicional reduto roqueiro da Grande São Paulo, e que já presencionou grandes apresentações de Marceleza.
Rock Club
Rua José Bonifácio, 90 - Centro - São Bernardo do Campo/SP
Na edição de outubro de 2011 (nas bancas), a revista Billboard em sua versão brasileira traz a seguinte seguinte resenha sobre Hoje no Bolshoi:
"Ironia, safadeza e rock tradicional de 'O Mundo Está Encolhendo', uma das duas faixas inéditas do DVD, funcionam como uma espécie de resumo da obra de Marcelo Nova. Ou seja, nesses 30 anos - pretexto para a gravação do show - nada mudou. O roqueiro baiano visita várias fases da carreira acompanhado de uma banda formada por músicos bem mais novos que ele - um deles é seu filho Drake Nova, guitarrista. Do Camisa de Vênus ele tira o clássico 'Eu Não Matei Joana D´arc". 'Carpinteiro do Universo' vem do álbum que gravou com Raul Seixas (A Panela do Diabo). A fase solo é a que mais está presente, e dela vem, por exemplo, 'Cocaína'. Uma entrevista com o músico faz parte dos extras."